Babywearing | O que é?

Por Denise Gurgel

Babywearing é o termo utilizado para essa forma de carregar o bebê como se você estivesse vestindo o bebê e para os pais não há coisa melhor do que estar pertinho do filhote!
Essa prática de transporte coladinho ao corpo é muito comum em muitas culturas (africanas, asiáticas e indígenas), “slingando” através de tecidos que em nada se parecem com o canguru que conhecemos.

Os cangurus permitem uma postura anti-fisiológica dos bebês, nas quais as pernas ficam penduradas gerando uma postura da coluna inadequada, distribuição de peso incorreta e perigosa, pois a base de apoio se incide na genitália do bebê. Além desses fatores, os pais só poderão usá-lo mais para frente, por volta dos três-quatro meses quando o bebê possui melhor controle da cabeça.

Já o sling permite uma postura fisiológica do corpo do bebê em suas várias possibilidades de posição, seja na horizontal, sentada de Buda, barriga com barriga, de frente para o mundo, apoiada no quadril e nas costas. Artigo recente da Red Canguro (Associação Espanhola para o Incentivo ao Uso dos Carregadores de Bebê) revela que tanto a coluna como o quadril do bebê são “respeitados” pelo sling, pois a postura rã na qual o bebê senta com as pernas abertas com 45° em relação ao eixo corporal, quadril flexionado e joelhos ligeiramente superiores ao bumbum, permitem que a cabeça do fêmur tenha um encaixe perfeito no acetábulo do quadril contribuindo até mesmo para o tratamento de displasia leves de quadril.

Muitas mães já saem da maternidade slingando seu pequeno, o que é maravilhoso para ambos, já que o sling permite a continuidade da barriga e a união dos dois corpos nesse momento tão importante. Para a mãe diminui o vazio da perda da barriga preenchida pelo bebê no sling, para o bebê o aconchego, o conforto da posição intra-uterina e o contato íntimo do toque do corpo da mãe/ pai.
Portanto, pode ser usado desde o nascimento até os dois/ três anos, por volta dos 10-20 kgs da criança. É um acessório simples que respeita a fisiologia do bebê sem pressionar nenhuma região, acompanha o crescimento do bebê e facilita o dia-a-dia dos pais.
São vários os tipos a escolher e posições a serem exploradas conforme o bebê cresce, tais como: o ring sling (tecido com duas argolas que permite uma perfeita trava), pouch sling (sem argolas, é feito sob medidas), mei-tai (tecido com alças cruzadas na costas e amarradas na cintura) e wrap (tecido longo amarrado nas costas).
São muitos os fatores positivos em “slingar” tanto para a mãe quanto para o bebê, confira os benefícios.
Para o seu bebê:
• O sling é similar à posição de aconchego e fechamento nos braços da mãe, portanto a coluna fica alinhada na posição intra-uterina, posição de conforto físico e emocional;
• O contato tátil, os movimentos, a batida do coração e respiração da mãe permitem um acolhimento como o do útero;
• Permite várias posições respeitando e favorecendo o desenvolvimento sensório-motor e aquisição de habilidades;
• Permite a posição vertical com bom apoio de cabeça, mesmo para bebês novinhos, sendo indicada para bebês que possuem refluxo gastro esofágico, prevenindo a regurgitação;
• Tanto a posição de Buda, como a proximidade e carinho do corpo da mãe diminuem crises de cólicas;
• São mais tranqüilos, seguros, dormem com boa qualidade de sono e choram menos;
• A proximidade e estímulo corpo a corpo favorecem o ganho de peso, melhor tônus muscular, coordenação motora, reações de equilíbrio e o aprendizado das expressões faciais;
• Enxergam o mundo na mesma linha de quem o carrega diferentemente das visões baixas permitidas pelos carrinhos e bebê conforto;
• São mais independentes, interagem melhor com o outro e com objetos.
Para os pais:
• Permite uma melhor vinculação, interação, comunicação, observação e aprendizado da linguagem corporal do bebê;
• É prático, fácil de manusear e facilita na hora de sair. Os pais sabem bem o quando um simples passeio exige preparo;
• Quem usa pode se relacionar com as pessoas e objetos, pois as mãos ficam livres;
• Permite a livre amamentação;
• É companheiro saudável tanto no momento do bebê pegar o sol da manhã e do final de tarde, como nas caminhadas em busca da forma da mamãe permitindo a visão dos obstáculos.
As argolas devem ser testadas e aprovadas para suportar a tração, podendo ser de nylon injetado, alumínio ou inox. Desconfie se tiverem emendas, aberturas, se forem finas ou achatadas.
Ao usar o sling verifique as costuras, argolas e se está bem posicionado e firme, se há ventilação com entrada e saída de ar para o bebê, não deixe o queixo do bebê encostado no tórax para não obstruir a respiração (medida de cautela também realizada quando estiver no colo), evite colocar objetos dentro do sling (brinquedos, manta), se usar manta externa ou o próprio sling não cubra o bebê por inteiro, não corra e salte, evite usar saltos, evite aglomerações. Bebê no sling não substitui o bebê conforto no carro e não cozinhe slingando.

Denise Gurgel Barboza
Fisioterapeuta Materno-Infantil

www.cursoshantala.com.br

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